Pois é pessoal.
O Audax 200 foi "fácil", vamos dizer assim. Já o Audax 300 nem tanto. E a tendência é aumentar o grau de dificuldade a medida que avançamos as etapas.
É normal que nestas provas longas, onde pedalamos um dia inteiro (ou mais) nos deparemos com inúmeras condições climáticas. Não podemos pretender que sempre tenhamos as condições ideais, e assim foi nesta etapa dos 300Km.
Partimos as 22h de sábado, numa noite bonita, clima agradável, ótimo para a longa pedalada que nos esperava. Pedalamos tranquilos até o PC de apoio, no início da estrada da Lapa. Chegando lá os carros de apoio já estavam nos esperando, fizemos uma parada rápida e prosseguimos. O grupo estava unido, pedalando num ritmo bom. Lá pelo Km 65 o Airton teve problemas com o pneu traseiro. Um furo enorme que aquele liquido "tampa furos" não deu conta. Além disso, o frio já começava a aparecer juntamente com alguns relâmpagos no horizonte. Assim chegamos ao primeiro PC no Km 105 faltando dez minutos para fechar, as 3h50min da manhã, em cima da hora!
Nos alimentamos, tomamos uma sopinha, e... começou a chover. Um temporal! Começamos a fazer contas, pois teríamos que chegar ao PC 150 antes das 8h da manhã, tarefa que seria difícil de cumprir, ainda mais com chuva forte. Tinhamos cento e um motivos para desistir e apenas um para continuar. Arriscamos. Decidimos continuar. Não foi fácil tomar essa decisão, pois estavamos cansados, com frio e tinhamos que encarar aquela chuva.
Saímos as quatro e pouco da manhã. Logo nos primeiros metros, ensopados, sentimos o frio de maneira mais intensa. Eu particularmente estava "duro" de frio em cima da bike. Os braços tremiam (e a bike também). Com a visibilidade prejudicada e os caminhões raspando nossas orelhas e jogando mais água sobre nós, lá fomos rumo ao segundo PC.
Foi nessa situação que o Airton, Célio e Albino resolveram parar. O resto do grupo prosseguiu, sem saber que eles tinham parado.
Logo mais à frente paramos em um posto da polícia rodoviária para aguardar a chegada do grupo que tinha ficado pra traz, mas eles nunca chegavam. Claro, já tinham parado.
Lá pelas tantas apareceu o Marcos e nos comunicou que eles tinham parado. Ele também comunicou a sua desistência, pois estava difícil e perigoso continuar naquelas condições, ainda mais com uma speed.
Os cinco remanescentes, decidimos continuar, apesar do pouco tempo que tínhamos para chegar ao PC 150. Partimos sob o temporal as 6h e nos restavam menos de duas horas para chegar ao nosso próximo destino, distante uns 45Km.
Para a nossa alegria, pouco tempo depois começou a amanhecer e a chuva parou. Chegamos ao PC as 7h30min, já sem chuva e um sol divino. Nesse momento percebemos que o pior já tinha passado, e nos lamentamos por nossos colegas que tinham desistido. Realmente foi injusto com eles, pois se tivessem se sacrificado mais alguns minutos não teriam desistido.
Animados por um lado e tristes por outro, nos alimentamos, trocamos de roupa e, como sempre, recebemos o excepcional e impecável apóio no comando da Marta, nesta altura, reforçado pelo grupo que tinha desistido da pedalada. Edmilson, Zoanir e eu trocamos as MTB pelas speeds e seguimos viagem junto com o Bruno e o Ricardo. Tinhamos 100Km pela frente até o PC dos 250Km. Nesta etapa, muitas subidas e descidas que forçaram nossos joelhos. Também pegamos um baita temporal com direito a pingos que doíam ao bater na nossa cara. O Bruno continuava firme na sua cadência habitual. O Ricardo mostrou sinais de cansaço neste trecho, mas continuou firme. O Edmilson o Zoanir e eu estávamos renovados com as speeds. Isso é que é bike! comentávamos a toda hora.
Ao chegar no PC 250 o Ricardo estava pálido e muito cansado, até porque o trecho montanhoso foi difícil mesmo. Agora mais animados para encarar os últimos 50Km, almoçamos no restaurante, descansamos um pouco e reonovamos as energias. O Ricardo se recuperou bem e em nenhum momento falou em desistir. "Eu vou conseguir!" dizia eufórico.
Assim partimos para completar a prova. Este último trecho foi o melhor de todos, pois não choveu, o vento estava levemente a favor e a temperatura estava ideal. Foi renovador mesmo.
O Zoanir furou o pneu traseiro e não tivemos mais nenhum contra tempo. Pedalamos tranquilos para completar a prova, os cinco juntos, as 16h15min de domingo.
Ao chegar, foi uma emoção só. Os organizadores, o pessoal que estava por lá e nossos amigos e familiares nos receberam com calorosos aplausos. Aquele momento valeu todo o esforço de mais de 18 horas pedalando. O Roberto Coelho, organizador da prova comentou emocionado: "Pô cara, que legal!... e chagaram todos juntos!, parabéns!"
Além do esforço dos ciclistas, o apoio nos PCs foi fundamental. Sem a força da Marta no comando desta valorosa equipe não teríamos condições de realizar esse tipo de prova. Quero deixar uma saudação especial em nome de todo o grupo, à Marta, meu pai (Carlos), Viviane e à Nico (acho que é assim que se escreve o nome da esposa do Zô) pelo valoroso apoio prestado durante a prova.
Foi uma prova dura, mas reflete exatamente o espírito "audax". A superação das adversidades particulares de cada atleta é que fazem o vencedor, pois aqui não importa chegar primeiro ou último. Basta chegar antes do tempo máximo previsto. Só chegar? é. Só chegar. Pensa...
Aos colegas que resolveram adiar a etapa dos 300Km, quero dizer-lhes que vocês não foram derrotados, muito menos fracassados. Vocês também são vencedores. Não sei se vocês se lembram, mas no nosso site coloquei uma frase de autor desconhecido que diz:
DERROTADO É AQUELE QUE NÃO TENTA...FRACASSADO É AQUELE QUE NÃO LUTA...E VITORIOSO É AQUELE QUE NUNCA DESISTE!
Vamos resolver esses trezentos logo, pois os quatrocentos já estão nos esperando.
Valeu!
Ainda em tempo, mandem-me as fotos para publicar no site!
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