O Audax 400 Porto Alegre, válido pela série 2010 estava marcado para o dia quinze de maio, às 13h, no estacionamento do DC shopping, bairro Navegantes. Meio dia e meia já estávamos lá, mas a organização ainda não havia chegado. Desta vez, o Grupo Audax 2010 foi representado pelo Flávio (eu), Edmilson, Ricardo, Marcos e o convidado especial, Nascimento, carinhosamente apelidado de “Capitão Nascimento” simplesmente por causa do nome, pois pessoalmente não tem nenhuma similaridade com o personagem do filme Tropa de Elite. No apoio, como sempre, a Marta, Sandra e a esposa do Capitão Nascimento. O Marcos foi para o Audax 400 sem inscrever-se, com o particular desafio de superar seus próprios limites, já que uma decisão prematura o deixou de fora do Audax 300 no Paraná.
As 13h, como estava agendado, as primeiras pessoas da organização foram aparecendo. Nos arrumamos, ouvimos as orientações, fizemos as vistorias das bikes e as 14h22min foi dada a largada. Fiz uma contagem rápida dos participantes, que não passou de 30 ciclistas. O clima estava ideal para pedalar, tarde ensolarada, mais ou menos 22 graus de temperatura e, exposto ao sol, até dava pra sentir calor. Foi nessa situação que partimos rumo ao primeiro PC, distante 48Km.
O carro da organização levou o pelotão de audaciosos por uns 2km, mais ou menos, e só depois liberou a largada. Logo no início o nosso grupo se posicionou entre os primeiros do pelotão geral. Logo nos primeiros quilômetros, nosso grupo já imprimiu um ritmo forte para uma prova de 400km. Andávamos a 35Km/hora quando comentei com o Edmilson que o ritmo estava forte. Ele, por sua vez, argumentou que a idéia era aproveitar ao máximo as poucas horas que restavam de luz natural, pois depois teríamos que pedalar a noite e a madrugada inteiras. Confesso que fiquei preocupado com o ritmo que havíamos imposto, e não tinha certeza se iríamos suportar até o final. Em outras palavras, estava com receio de “quebrar”.
Foi assim que fomos os primeiros a chegar para abrir o PC1, no Restaurante Kolyna, as margens da BR 290. A média de velocidade foi de 29Km/h. Reabastecemos as caramanholas, comemos alguma coisa, e partimos logo para o segundo tramo da jornada. Não ficamos mais do que 15min no PC1.
A pedalada rumo ao segundo PC não foi diferente do primeiro trecho. Ainda dia, mantivemos a média de 27,2Km/h. Neste trecho havia algumas subidinhas leves, mas ainda assim, fomos os primeiros a chegar. Durante o trajeto, o Ricardo comentou comigo que o ritmo estava muito forte pra ele, e que sua freqüência cardíaca estava muito elevada. Não tinha certeza se poderia continuar assim. O restante do grupo comentou que o ritmo estava forte, mas mesmo assim arriscamos continuar desse jeito. A esta altura, a Marta e a Sandra estavam ficando preocupadas, pois sabiam que o negócio não era brincadeira. Partimos para o terceiro PC, no Km 135.
Como não sabíamos exatamente o ponto do terceiro PC e, a organização comentou que TODOS os PCs estariam sinalizados, passamos reto. Sim, pois o pessoal da organização ainda não havia chegado para abri-lo, e um fiscal da prova teve que nos buscar, uns dois quilômetros a frente. Resultado: tivemos que voltar 2km para o recém aberto PC3. A média de velocidade do segundo para o terceiro PC foi de 26,6Km/h, e como resultado, o Ricardo abandonou a prova, alegando principalmente dores nos joelhos. Ele foi um guerreiro, pois pedalou quase 150Km de MTB, a um ritmo alucinante. Já falei pra ele: Compra uma speed!
Já de noite, partimos para o quarto PC no Km 184, na cidade de General Câmara, indo pela RS401 e pela RS244. As estradas eram bem desertas, a noite estava estrelada e a temperatura em torno de 13 graus. O acostamento estava meio comprometido em alguns trechos e tivemos que subir a pista de rodagem. No Km 162, um colega (Alcimar Pereira) que havia se juntado ao nosso grupo desde a largada, pediu pra parar. Ele alegou dores nos joelhos e precisava se alongar, mas nós não poderíamos esperá-lo por muito tempo. Decidimos partir e deixá-lo pra trás, infelizmente.
Os grilos, na beira da estrada, faziam uma sinfonia de sons similares ao de bater duas pedrinhas, uma contra a outra. A escuridão era assustadora, mas o céu completamente estrelado lembrava o interior de um planetário. São essas particularidades que fazem essas provas serem fascinantes. Só quem já pedalou um Audax noturno conhece essa sensação.
Chegamos ao PC4 às 22h e alguns minutos. O PC foi montado em um tipo de cantina de madeira, toda aberta, de estrutura bem simples, cheia de simpáticos seres caninos, e um bichano. Lá a organização nos esperava com uma macarronada, com molho de frango ou carne, a escolher. Essa refeição caiu como uma luva. Como a noite estava meio fria, não podíamos ficar muito tempo para não esfriar o corpo, assim, descansamos um pouco e partimos. Logo no início bateu um frio danado, pois já na saída deste PC tínhamos uma descida longa. Aí já viu: corpo frio, noite fria... e uma descida longa. Resultado: tremedeira em cima da bike, mas logo passou. Foi só começar a pedalar pra tudo voltar ao normal e continuar para o PC5, no Km 233.
Quase chegando ao PC5 levamos um susto. O grupo vinha pedalando forte em fila indiana, onde eu (Flávio) estava puxando, seguido pelo “Capitão” Nascimento, Edmilson e Marcos quando nos aproximamos de um sonorizador – aquelas lombadinhas seguidas que colocam na estrada – ao enxergá-la dei um leve toque no freio. O nascimento, que vinha logo atrás também freou, mas o Edmilson que vinha na seqüência não conseguiu segurar. A roda da bike do Edmilson tocou a roda traseira do Nascimento, e o tombo foi certo. Ficamos bem preocupados na hora, pois percebemos que a queda foi feia. O Edmilson não reclamou, mas sofreu alguns raladões consideráveis, sendo o maior deles na coxa direita, na altura da bacia. Sabíamos que os machucados tirariam o desempenho do Edmilson, mas não havia nada a fazer senão continuar. No PC5 fizeram uns curativos pra remediar, mas a dor de uma ralada prevalece.
Decidindo diminuir um pouco o ritmo, saímos em direção ao PC6, no Km 277. Voltamos a pegar a BR290 e levamos outro susto, ou melhor, levei um susto quando um caminhão passou a 20cm da minha orelha esquerda. Felizmente não passou disso, ninguém se machucou nem nada, foi só o susto.
Concluímos os 277Km (PC6) as 2h30min do domingo. O PC estava montado em um posto de combustível, mas estava fechado ao público. Ali, a Marta, a Sandra e a esposa do Nascimento nos esperavam com algumas comidinhas ma-ra-vi-lho-sas, até porque, depois de pedalar 277Km a fome é grande. A mulherada estava encasacada, mas pra nós o clima estava bom. Aqui concluímos que, como não enxergávamos os velocímetros, não conseguimos baixar o ritmo conforme havíamos combinado no PC anterior. Teríamos que nos esforçar pra segurar um pouco, já que agora entraríamos na terceira parte da prova, com certeza, a mais cansativa.
Na ida para o PC7 (Km 338) pegamos vento contra, e a média caiu para 23,7Km/h. A estrada era boa, sem movimento, e nos restava apenas pedalar. Chegamos ao PC7 às 4h42min da manhã de domingo, com muito vento e frio na casa dos 12 graus (eu acho). Ali, o pessoal da organização recém havia chegado e estavam todos encapuzados, com um farolzinho que mais parecia uma vela para iluminar a mesa. Carimbamos o passaporte, recarregamos energias e partimos novamente. Agora já não havia mais PCs, apenas a chegada final no Km 400, porém, ainda tínhamos que pedalar o trecho mais longo de quase 70km.
Neste último trecho, como em todos os “últimos trechos”, o fator psicológico começa a pesar. Sempre nos quilômetros finais começam as dores nos glúteos (queria escrever “bunda”, mas ficaria deselegante). Percebi o semblante cansado dos meus colegas, e eles certamente perceberam o meu, mas apesar dos pesares, não havia escolha. Tínhamos que pedalar até o final.
A esta altura os odômetros de todos marcavam diferentes quilometragens. Uns diziam que faltavam 15km, outro dizia que faltavam 5Km, mas na verdade faltavam 25Km. Eu adoraria acreditar que o odômetro deles estava correto, mas o único que tinha GPS era eu, por tanto, vamos cair na real e aceitar a distância como ela é.
Finalmente, às 9h da manhã de domingo, com 407,79 quilômetros rodados em 18h e 42min, chegamos para completar o desafiador percurso. Ainda que no Audax não importe a colocação, fomos os primeiros a chegar, aliás, os primeiros de “cabo a rabo”, da largada à chegada. É muito bom andar na frente e receber os cumprimentos dos demais audaciosos a medida que nos cruzávamos. Na chegada, a alegria e a emoção de ter completado um Audax dessa magnitude. Os cumprimentos, e os parabéns das pessoas que nos querem bem são impagáveis, comparado apenas à emoção do dever cumprido.
Para comemorar, fomos almoçar em uma churrascaria pra lá de boa tche! Muito boa mesmo. Pra ter uma idéia, comi muuuuuito e nem me senti estufado. O organismo absorveu aquela carne toda de uma só vez.
Não poderia deixar de registrar o nosso muito obrigado as “meninas” do apóio, que sem elas não seria possível completar uma prova como estas, principalmente porque não havia o que comer em alguns PCs, além do estimulante apoio psicológico que nos concederam.
Em breve postarei as fotos e o vídeo.
Veja os tempos, velocidade, e demais informações coletadas no Audax 400 clicando aqui
Agora, vamos para os 600Km!
Grande parceiros de grupo.Parabens por mas essa etapa cumprida...Agora só falta uma.....vamos para os 600km.
ResponderExcluirAbraços
foi bom andar na frente, mas fiquei dois dias todo doido,....e vamos para o 600km.
ResponderExcluirabraços
nascimento